Maquiagem é autoexpressão ou obrigação social?

12:34 PM Jessica Lupiao 0 Comments


Os dois lados de make nossa de cada diaautoexpressão e obrigação social.

Boa tarde everyone,
Para o post de hoje vamos falar de beleza, mas em um papo mais cabeça... (?!)
Você sai de casa sem maquiagem? Se sente obrigada a ir maquiada para o trabalho mesmo quando não esta a fim de usar make? Se sente mais bonita ou mais confiante depois de colocar um belo batom vermelho? Seria tudo isso opressão? 

Comecei a usar maquiagem de verdade, diariamente, logo após o fim do ensino médio, um pouco tarde em comparação com a maioria das minhas amigas. Nos tempos em que morei em Massachusetts, não saia de casa sem maquiagem, era um MUST pra mim e realmente influenciava na minha autoestima e no modo como eu me via. Com o tempo fui reduzindo na quantidade de make e assumindo um look mais leve e natural, mas sem deixar os itens básicos de lado, como base e corretivo... Meu namorado é amável o suficiente para dizer que fico linda de maquiagem, mas que fico ainda melhor sem e que ele prefere assim (what a sweet boy) hehe...
Embora tenha modificado minhas técnicas ao longo dos anos, aprendendo alguns truques e entendendo que uma pele boa é mais eficaz do que uma boa make, sair maquiada ainda é uma necessidade para mim (nem que seja só um corretivo, pó translucido e delineador).

O site do The New York Times recentemente postou um debate interessante sobre  a maquiagem e seus efeitos na autoestima das mulheres (acredito que ainda está em aberto), desde então venho me fazendo essa mesma pergunta: Será que a maquiagem influencia a autonomia da mulher, tendo a capacidade de melhorar a nossa aparência, ou  isso acontece porque estamos tentando mascarar inseguranças subjacentes? Será que essa expectativa toda em volta da mulher bem maquiada não é uma forma de opressão?

Defensores da Maquiagem falam dos poderes desta “arma feminina”,  como melhora o humor  e a autoconfiança, como ela transforma e reanima. Um exemplo é o batom vermelho clássico, que faz toda diferença na produção e na confiança.

Por falar em batom vermelho: Existe até um movimento super bacana chamado Red Lips Day que incentiva a mulherada a usar e abusar do item o quanto quiserem, sem medo de ser feliz, com foco no empoderamento feminino e na diversão que a make pode trazer para nosso dia-a-dia... A última “edição” aconteceu no último 17/06 e encheu a net de selfies em red lips. A mente feminina por trás dessa ideia é a blogueira Renata Montenegro, do blog Mulher Vitrola, que já levanta a bandeira dos lábios vermelhos desde 2011...



Outra defensora que sigo e admiro bastante é Fabiana Gomes, maquiadora da MAC Brasil, que produz semanas de moda nacionais e internacionais e dá várias dicas de produtos e tendências no seu Instagram. (@f.a.b.i.a.n.a.g.o.m.e.s). Ela vê a maquiagem não só como ferramenta de trabalho, mas como aliado no empoderamento feminino.



Já do lado oposto está Phoebe Baker Hyde, que há alguns anos escreveu um livro sobre como ela passou um ano sem usar maquiagem. Hyde argumenta que a maquiagem é prejudicial por ser quase uma obrigação social, funciona como uma máscara, mulheres se sentem obrigadas a usar a fim de ganhar status profissional e cumprir as normas sociais.( E sim, esse foi mais um livro que só li até a metade).


Livro - The Beauty Experiment.

Ela relata a relação das mulheres com maquiagem como uma forma de dependência: 

"E se ela perder o emprego, o afeto de seu parceiro, ou a credibilidade do público porque não vive maquiada, acaba por agregar as perdas a sua aparência".

Okay, Hyde fez um ponto com esse argumento. Li sobre um estudo que mostra que as mulheres que usam maquiagem são percebidas como mais competentes, mais femininas e simpáticas, dados que podem ser associados ao sucesso no trabalho. Tenho que concordar com Hyde que, em um mundo ideal, a maquiagem NUNCA deve  ser vista como um barômetro para o profissionalismo ou habilidades das mulheres.

No entanto, baseado em minhas próprias experiências de vida, sempre percebi e associei maquiagem mais como uma forma de ganhar um impulso na autoconfiança do que uma obrigação social.  O momento de me maquiar é um memento só meu, de alegria e prazer – eu coloco minha lista favorita no Spotify, aumento o volume, separo os pincéis e os produtos e depois me divirto. Por mais que sempre tenha trabalhado em lugares que exigiam um certo cuidado com o aparência, por gostar de moda isso nunca foi um incômodo.
Escolho usar make porque me sinto bem, sabendo que eu investi na minha auto apresentação. Além disso,  acredito que maquiagem também se agrega à moda e um modo de expressão, como uma saída para a criatividade.

De todas as liberdades já conquistadas pelas mulheres, desde o abandono do espartilho até o direito ao voto, adquirimos força, autossuficiência e opinião própria o suficiente para decidir se queremos ou não viver maquiadas. É exatamente o oposto do que Hyde fala no livro sobre ritual forçado de embelezamento. NÃO É OPRESSÃO, E SIM AUTOEXPRESSÃO (pelo menos pra mim).

E você? No seu dia-a-dia, na sua vida profissional, você pode escolher se usa maquiagem ou não? Estar maquiada afeta sua autoestima?
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Fotografias: divulgação blog Mulher Vitrola | Instagram Fabiana Gomes | Google | iPhone da Jessie.

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